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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

José Francisco Pacóla lança livro em Campinas

"O Teclado Banguela" traz histórias e reflexões sobre pessoas próximas ou anônimas, reais ou imaginárias. O jornalista fala da infância em Mogi Mirim, comenta notícias de jornal e situações que misturam realidade e ficção. O lançamento será na próxima terça-feira, dia 14 de setembro, a partir das 19h, no Giovannetti Cambuí (rua Padre Vieira, 1.277), em Campinas.


Há alguns anos, quando tentou trocar o jornalismo pela advocacia, José Francisco Pacóla temeu perder a leveza do texto que o consagrou na mídia frente ao linguajar pesado, sisudo, técnico, ritualístico e formal dos Tribunais. Assim, aproveitava os finais de semana para exercitar a escrita, relatando histórias reais e imaginárias ou colocando no arquivo de seu computador reflexões sobre sua própria vida e a de seus amigos.

As histórias eram distribuídas por e-mail para um pequeno grupo de privilegiados que podiam iniciar bem a semana com a leitura das Crônicas de Segunda. O sucesso desse despretensioso projeto o animou a compilar 55 de suas crônicas em um livro que recebeu o bem humorado título de O Teclado Banguela.

O lançamento será no dia 14 de setembro, a partir das 19h, no Giovannetti Cambuí (na rua Padre Vieira, 1.277), em Campinas, interior de São Paulo. O livro traz o selo da Editora MM, tem 172 páginas e custa R$ 20,00. Os exemplares podem ser adquiridos pelo site www.wikishop.wiki.br

As crônicas reúnem histórias da infância de Pacóla em Mogi Mirim, notícias publicadas em jornais e situações que misturam realidade e ficção. "'O Teclado Banguela' é uma coletânea daqueles textos despretensiosos que invadiram a caixa postal eletrônica dos amigos. Escrevê-los foi uma delícia e ter o feed back positivo por meio dos comentários dos amigos foi melhor ainda", diz o jornalista.

Sobre as crônicas


Pacóla começou a escrever as crônicas no período em que se afastou do jornalismo para dedicar-se à advocacia. Toda segunda-feira, logo pela manhã, ele mandava o texto para um pequeno grupo de amigos, via e-mail. Agraciados pela ora curiosa ora divertida, ora interessante leitura, os amigos passaram a redistribuir os textos para seus conhecidos, formando, assim, uma legião de leitores virtuais.

A sugestão de compilá-las em um livro foi dos próprios amigos que vez ou outra tinham a vontade - e, talvez, a necessidade - de reler algumas das histórias relatadas e das quais sabiam estar envolvidos, mesmo que a citação raramente fosse nominal.

"Falei minha da infância, comentei fatos, imaginei, aumentei e inventei situações, misturei realidade e ficção e, principalmente, deixei a criatividade fluir sem compromisso. Acho mesmo que fiz terapia em capítulos. Fatiei o tempo e deixei em cada espaço minha impressão digital. Permiti-me acrescentar às crônicas alguns contos porque acredito que o gênero é o que menos importa", explica o jornalista.

O prefácio do livro é assinado pelo jornalista Roberto Godoy, como ele próprio descreve, companheiro de Pacóla de tantas jornadas jornalísticas. Eles são amigos e cúmplices em projetos de três diferentes redações: no Estado de São Paulo, no Correio Popular e na Agência Estado. Godoy define o livro como "singelo e atraente, um objeto que se firma em pé pela condição peculiar de reunir crônicas, reflexões e artiguetes (é, sim, jargão de gente da notícia), escritos por um jornalista acostumado ao alucinante ritmo cotidiano do que neste estranho ano de 2010 é chamado de 'mídia impressa diária', Santo Deus".
Outro amigo, o também jornalista Eduardo Mattos, assina o texto da "orelha" do livro. Para a revisão dos textos o autor foi buscar a ajuda de ninguém menos do que José Flávio Juliani Citélli, poeta e professor que lhe ensinou a língua portuguesa no ensino médio, cursado em Mogi Mirim.

Sobre o autor


José Francisco Pacóla trabalha, hoje, como coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público do Estado de São Paulo. Ele formou-se em Jornalismo (1984) e em Direito (1994) pela Universidade Católica de Campinas. Natural de Mogi Mirim, iniciou a carreira de jornalista em sua cidade natal, trabalhando nos jornais O Regional e A Comarca.



Exerceu as mais diversas funções jornalísticas - repórter, correspondente, editor e colunista político - em jornais de Campinas (Diário do Povo, Jornal de Domingo e Correio Popular) e da capital paulista Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo). Em Balneário Camboriú (SC) chegou a fundar um jornal. Foi, ainda, colaborador da revista M+, e atuou como assessor de comunicação da Câmara Municipal de Valinhos e da Prefeitura de São Paulo.

Em 1990, foi um dos vencedores do Concurso Nacional de Jornalismo "Instituto Liberal - I Prêmio Fenícia de Imprensa" na categoria Melhor Reportagem Coletiva com a série de reportagens "O Brasil que dá certo".

Exemplo de uma das crônicas
Presente de estação

Era domingo de manhã. O homem entrou no metrô e sentou-se no fundo do vagão. Vestia uma camisa branca amarrotada, calças jeans desbotadas e tênis pretos. Na mão esquerda carregava uma blusa de náilon, com palavras em inglês que, juntas, não faziam sentido algum. Na mão direita, tal qual a canção, a rosa.
Antes da primeira estação, o homem já adormecera. Fazia calor. A impressão que se tinha é de que ele havia passado a noite trabalhando. Sua cabeça pendia, assim como seus óculos de grau pendurados à altura do peito por um fio preto. Ele estava visivelmente cansado e esse aspecto era evidenciado pela barba por fazer.
Ninguém notou o homem. Ninguém deu a mínima para a rosa. Nem o velho que lia o noticiário de esportes no jornal dobrado nem o rapaz de cabelo moicano e piercing nos lábios, no nariz e na orelha. Tampouco o japonês e sua namorada de cabelos oxigenados, vestida com roupa de ginástica, a calça de lycra, justa e curta, deixando à mostra suas panturrilhas brancas como vela. Nem mesmo a velha senhora, com o terço que parecia extensão de seus dedos.
As portas do vagão se abriram e se fecharam várias vezes. Muitas pessoas entraram e saíram, revezaram-se nos assentos de plástico ou ficaram em pé, segurando na barra de ferro e olhando o vazio, enquanto a voz grave anunciava pelos alto-falantes: "Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem".

A blusa deslizou pelos dedos do homem e foi ao chão. O homem acordou e ajeitou-a agora em seus braços. A rosa continuava firme em sua mão direita. Era uma rosa vermelha. As poucas folhas de seu caule verde já estavam murchas. Ele segurava o botão desajeitadamente, apertando-o com os dedos fortes, mas dele não largava.

Para quem aquele homem levava a rosa, depois de uma madrugada inteira de trabalho? Seria seu aniversário de casamento? Talvez sua filha estivesse completando 15 anos naquele domingo de inverno. Ou, quem sabe, era tudo o que ele podia levar para a mãe doente.
Cheguei à minha estação de destino e desci. O homem continuou lá, segurando a rosa vermelha. O trem partiu, levando consigo minha curiosidade. Nunca vou saber quem recebeu aquela rosa que viajou de metrô, apertada entre os dedos do homem sonolento. Mas tenho certeza que ela chegou ao seu destino, sem embalagem de luxo, com suas folhas murchas, mas com sua essência intacta: a rosa ainda tinha cor, perfume e o gesto carinhoso do homem do fundo do vagão.
Serviço

Livro O Teclado Banguela
Dia: 14 de setembro, a partir das 19h
Local: Giovannetti Cambuí (na rua Padre Vieira, 1.277), Campinas (SP) São Paulo.
Editora MM
172 páginas
R$ 20,00
Venda de exemplares: http://www.wikishop.wiki.br/

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